
"A única coisa que pode redimir a humanidade é a cooperação."
Bertrand Russell (1872-1970)
Estamos na era tecnológica. A macro-exploração do universo (captando informações de milhões de anos-luz de distância), o microcosmos
do DNA e da nanotecnologia e a revolução digital, que permite a comunicação instantânea a longas distâncias e nos proporciona maior unidade como
espécie, nos levaram a um pico antes factível apenas em obras de ficção.
Entretanto, o que também parecia um cenário fictício poucas décadas atrás se materializou na contramão do progresso tecnológico, como subproduto da era
industrial, de uma cultura inconsequentemente consumista e excessivamente egocêntrica, e do esgotamento de um sistema econômico demasiadamente promíscuo. O planeta que nos serve de casa está adoecido. Mas a população continua alienada, conduzida como rebanho, escravizada por dívidas e entorpecida por doses diárias de drogas da obediência (capitaneadas, de longe, pela televisão).
Este ciclo mantém todos inertes e inofensivos, enquanto aqueles que detêm a riqueza e o poder se perpetuam em suas posições. Os meios de comunicação em massa despejam diariamente um duelo indigesto entre o noticiário e a propaganda: de um lado a ênfase em catástrofes ambientais (furacões, aquecimento global, enchentes, terremotos, tsunamis), econômicas (crise nas bolsas, falência de corporações, demissão em massa, quebra de bancos) e sociais de gosto duvidoso (sequestros, assassinatos, tragédias familiares, acidentes de todos os tipos); e do outro, comerciais e programas de entretenimento que estimulam o desejo psicológico de enriquecimento material e a busca de fama instantânea como meta de felicidade.
A questão é simples: não precisamos mais da mídia corporativa para nos manter informados, nem para adquirir cultura e conhecimento, chaves para o crescimento individual e profissional. O império das telecomunicações e dos grandes jornais e revistas – todos amarrados aos desejos e ao partidarismo dos grupos que os controlam – tornou-se uma realidade desnecessária e em profundo declínio. A informação está disponível praticamente de graça e a um clique de distância, sem censura, sem maquiagem e com mais profundidade.
Se observarmos à distância o despejo diário de toxinas psicológicas praticado pela indústria da comunicação, notamos que existe uma contradição gritante entre realidade e propaganda. A máquina propulsora deste modelo, movida pela economia pós-globalização, pelas onipresentes corporações internacionais, pela especulação financeira e pela dependência dos combustíveis fósseis – especialmente o petróleo -, causa danos de proporções aterrorizadoras, amortecidas pelo intervalo comercial. Paradoxalmente ao desenvolvimento tecnológico de ponta, recursos naturais são escasseados e a grande maioria da população humana sofre, marginalizada pelo sistema e destinada a bolsões de pobreza que chegam quase a abarcar continentes inteiros, ludibriadas pela sugestão de uma salvação divina.
O mesmo sistema que explora também trabalha com competência para assustar e amedrontar a população, vendendo a urgência da segurança e da proteção (refletidos em empreendimentos imobiliários que prometem uma possibilidade de se viver inteiramente cercado por muros – seja em condomínios fechados nos subúrbios ou em condomínios verticais nas áreas centrais, com facilidades de lazer, comércio e serviços), tornando-nos todos mais facilmente suscetíveis ao pastoreio por aqueles que concentram o poder.
Mas ao invés de nos assutarmos e nos amedrontarmos, é necessário perceber que tudo pelo que estamos passando trata-se na verdade de uma grandiosa oportunidade. É uma chance de acordarmos para uma nova era, e de refletirmos sobre o momento de deixar para trás este velho paradigma intangível do enriquecimento material individual e da segregação de povos em credos, nações, religiões ou raças. Para entrarmos numa nova era, conscientes de que estamos todos interligados numa rede viva que habita este planeta, por si só um organismo vivo e interdependente, tão distinto de tudo mais que temos notícia no universo.
Este site propõe um espaço para reflexão e discussão, no Brasil, de um cenário que ganha força em todo o mundo. O acesso livre à informação e aos meios de produção de conteúdo, possibilitados pelo estouro da internet, permitiu o desenvolvimento e a promoção independente de filmes, documentários, vídeos, livros, sites e blogs, que nos trazem novos fatos e colocam os velhos sob uma nova perspectiva; e que revelam maior interdependência entre religião, economia, ambiente, energia e sociedade.
É desta visão pluralista, porém de união e tolerância, que cresce um movimento pacífico e global de mudanças radicais em todos os níveis de atividade humana. Mas para que este debate cresça e a transformação da sociedade contemporânea se faça possível, é necessário, primeiramente, uma mudança de consciência no nível individual. É preciso que estejamos preparados para romper com a condição de rebanho, com as crenças arraigadas e com a hipnose por inércia das últimas décadas, para que possamos planejar e executar um futuro sustentável para as gerações que estão por vir.