Dando seqüência ao clássico Koyaanisqatsi, este filme de 1988, também produzido por Francis Ford Coppola, dirigido por Godfrey Reggio e com músicas de Phillip Glass, utiliza a fórmula bem sucedida do antecessor para fundir imagem e som. A trilha sonora, novamente arrebatadora, teve inclusive trechos utilizados no filme “O Show de Truman”, de 1998.
Powaqqatsi aborda mais de perto o ser humano, com ênfase nas culturas baseadas no cultivo do solo, como encontramos na Índia, África, Ásia, Oriente Médio e América do Sul. O filme foca também a pobreza devastadora do terceiro mundo, iniciando em uma mina de ouro em Serra Pelada, no Brasil. Powaqqatsi marca emocionalmente o estado brutal a que podem chegar as relações humanas em um mundo perturbado, mas sem dizer como as coisas devem ou não ser.
A transformação destas sociedades pela cultura modernizante ocidental e o aspecto transformador das culturas ao redor do mundo, que são ao mesmo tempo distintas mas incrivelmente semelhantes, têm atenção especial no longa. Powaqqatsi explora os espaços de beleza e tragédia que podem coexistir, como no brilho dos olhos de uma criança pobre, refletindo incerteza, ou a letargia de uma população para com o abismo que separa extremos de riqueza e pobreza, que contribui decisivamente para a existência desta disparidade.
Mais do que uma simples experiência sensorial marcante, Powaqqatsi contribui para a reflexão de povos explorados (como na América Latina), sobre sua condição e sobre o respeito à sua existência. O filme é o segundo da trilogia Qatsi, que só viria a ser terminada 14 anos depois, com o aguardado Naqoyqatsi, de 2002.
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