Por que não estamos dirigindo carros livres de gasolina ou qualquer outra forma de
combustão poluente? Onde estão os carros elétricos? Num mundo pautado pelo aquecimento global, esta questão não deveria ser primordial?
Os carros elétricos são geralmente apresentados em feiras de automóveis
como
"conceito".
Mas por que diabos chamar de "conceito" um veículo que está sendo exibido na sua frente, e que funciona perfeitamente?
Por que estes "protótipos" não estão à venda?
De fato, a tecnologia para produzir carros elétricos de ponta (eficientes, autônomos e comercializáveis) já existe há mais de uma década; e eles já rodaram na Califórnia nos anos 90.
No entanto, estranhamente, a moda não pegou, e eles silenciosamente desapareceram do mercado, deixando muitos com a falsa suposição de que ainda não chegamos lá.
O filme
Quem Matou o Carro Elétrico?
investiga os eventos que levaram à destruição silenciosa de milhares de
veículos modernos e radicalmente eficientes. E descobre que eles foram esmagados por uma realidade inegável: a busca incessante pelo lucro.
De um lado, as indústrias automobilística e petrolífera americanas, com
apoio do governo Bush - que curiosamente contava em seu staff com muitos
ex-funcionários de alto escalão das mesmas indústrias, dentre os quais dois
bem conhecidos Dick Chenney (Halliburton) e Condoleeza Rice (Chevron) -
não viam o carro elétrico com entusiasmo. Porque um carro que pode ser abastecido
em casa, através de uma simples tomada, não compete com os carros à combustão
em matéria de lucros: a dependência dos postos de abastecimento e o comércio de filtros, aditivos e peças
de reposição - necessários à manutenção dos "carros sujos" - deixam de ser
uma fonte de renda numa realidade automotiva movida à eletricidade.
O hidrogênio, que seria a alternativa limpa preferida pelo setor, já que
também prescinde de postos de abastecimento, é um tiro no pé: além de custar muito mais caro e de ser
uma tecnologia em fase de desenvolvimento, depende da substituição quixotesca
de milhões de postos de combustível antes que ganhe confiança do consumidor
(que não quer ficar desabastecido) e possa ser colocado em prática.
Mas o mais surpreendente é descobrir que o público consumidor também foi responsável pela morte de um sonho sustentável. A resistência do comprador à mudanças e a desconfiança em relação a uma nova realidade exerceram papel fundamental para consolidar a extinção dos automóveis limpos.
Desta forma, o filme desenha a imagem de uma cultura industrial cuja aversão à mudança e
dependência no petróleo parecem ser mais profundas que sua habilidade para
abraçar novas soluções de pronta-aplicação.
Ironicamente, a GM,
principal envolvida nos eventos que levaram à retirada dos modelos do mercado, está hoje à beira da falência, dependendo de bilhões de
dólares de ajuda do mesmo governo com quem trabalhou para destruir este
potencial avanço tecnológico.
No Brasil, o Governo também investiu
volumosos
bilhões de verba pública para o mesmo fim. Ou seja: nós estamos pagando
pra salvar as montadoras de grandes corporações internacionais de sua própria ganância, para que continuem a vender ultrapassados veículos poluentes.
O motivo de tamanho desperdício de dinheiro público é sempre a crise financeira, e consequente manutenção de empregos
e da economia. Mas fica a pergunta: por que não investir estes mesmos bilhões na retomada dos carros elétricos ou
na ampliação do
metrô?
Estas alternativas também não impulsionariam a economia, não gerariam empregos? Elas certamente
seriam menos poluentes.
"
Qualquer um que queira
fazer uma revolução não precisa pegar em armas. Basta trabalhar como nós,
para mudar o mundo com ciência e tecnologia" - Stan Ovshinsky, criador da
bateria Ni-MH, que atualmente alimenta nossos notebooks e que alimentava
o carro elétrico antes de terem suas patentes compradas pelas petrolíferas
americanas, que as retiraram do mercado automobilístico.
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