Outros Mundos - Uma Jornada ao Coração do Xamanismo Shipibo investiga os rituais xamânicos baseados na ingestão de ayahuasca e cânticos indígenas pela tribo da amazônia peruana Shipibo-Conibo. Com uma vasta coleção de entrevistas com especialistas na área da antropologia, biologia molecular, psiquiatria, filosofia, botânica, além de artistas como Moebius e outros, Jan Kounen, diretor holandês residente na França, amarra um conjunto vasto de depoimentos de interessados na investigação mística como parte da compreensão da natureza da realidade.
Relatando e documentando sua própria viagem à Amazônia em busca do conhecimento das plantas sagradas, em especial a Ayahuasca, Kounen participa de inúmeras experiências xamãnicas e faz uso de efeitos especiais e reflexão profunda para tentar explicar o grande portal de transformação aberto em sua própria consciência, definida por ele mesmo como “prisioneira de 5 sentidos limitados”, pelos quais tentamos em vão acessar e avaliar todas as correlações que existem no mundo.
A idéia básica seria que, "encaixotados" pelos nossos sentidos dominantes, nós conseguimos enxergar apenas uma dimensão da realidade. Por outro lado, nossas sensibilidades civilizadas nos levam a interpretar - à distância - os rituais xamânicos primitivos como lúdicos e bizarros, senão sinistros. Nada mais do que pretensos "bruxos" fazendo uso de drogas para induzir as pessoas a transes místicos que não podem ser aplicados à realidade.
Insatisfeito com estas premissas e em busca de respostas, o diretor mergulhou numa jornada que o levou à uma das tribos dos 45 mil Shipibo-Conido que vivem às margens do Rio Amazonas. Kounen teve acesso a uma celebração ritual tradicional e, com a ajuda de câmeras com visão noturna, imortalizou momentos memoráveis. Sob a proteção do xamã Questembetsa, o diretor provou do que os índios chamam de "a pequena morte", uma poderosa experiência de consciência expandida, que ele decidiu explorar a fundo a partir de então, pelo período de um ano. A série de experiências levaram Kounen a concluir que o pensamento conceitual é uma ferramenta limitada para se trabalhar a consciência, uma vez que nossa mente tem a tendência de identificar o mundo através de pensamentos e racionalização. A outra realidade que se desdobra através do mergulho no subconsciente, proporcionado pelos rituais xamânicos é expressada então através do terror, sofrimento e lágrimas, e outras vezes através do deleite psicodélico repleto de imagens arquetípicas, conduzido pela mágica dos rituais.
O motivo deste tipo de experiência ter características identificáveis à todos nós é que dividimos uma mitologia primária universal, a fonte de nossas visões. Todos habitamos um universo infinito em que anjos e demônios dividem nossos pensamentos, emoções, memória e corpo.
Assim, o diretor segue sua jornada ao "Aton Institute", na Noruega, onde se estuda consciência, física quântica, civilizações ancestrais e a química molecular das plantas sagradas.
"A tecnologia verdadeiramente avançada é indistinguível da mágica" -
Arthur C. Clarke.
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