Antes que desapareçam

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A obra do fotógrafo Jimmy Nelson, Before they pass away, traz outra perspectiva ao que é ser humano

eduardo schenberg

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4 comments

  1. Gabriela Milanezi
    Reply

    Oi Eduardo, tudo bom? Estive dando uma olhada no seu trabalho e realmente é muito bom o tema da sua pesquisa. Só acho que vc nao está totalmente consciente do significado dessas fotos. Da uma olhada nessa crítica, que é a opinião de muitos antropólogos, entre os quais eu me incluio. Para um site tao legal como o Plantando Consciencia, acho que nao fica bem divulgar esse tipo de material. Gostaria que vc reconsiderasse. Um abraço, Gabriela
    http://www.huffingtonpost.es/stephen-corry/insolente-desproposito_b_5547847.html?utm_hp_ref=spain

    1. eduardo schenberg (author)
      Reply

      Olá Gabriela, obrigado pela mensagem. De fato parece que existe críticas pesadas ao livro, e seu comentário é mais que bem vindo, já que este é um espaço aberto a dscussões e reflexões sobre o tema! Fique a vontade em participar com críticas sempre que achar relevante. Não sei se entendi direito, mas caso vc esteja sugerindo que eu apague o post, penso que não é bem por aí. Acho que é aqui na discussão que fica interessante, para quem mais se interessar pelo livro possa ver também as críticas e outros pontos de vista, certo?

      abraço

      1. Gabriela Milanezi
        Reply

        Oi Eduardo. Obrigada pela sua resposta. Estou sim sugerindo que se apague o post e vou te explicar o porquê. Em primeiro lugar o post não apareceu acompanhado de críticas ou de alertas do tipo: “Galera, olha só esse trabalho que, no melhor dos casos, é polêmico”. Ele apareceu dentro de um contexto maior que a página do Plantando Consciência – a qual eu admiro bastante. E nessa página a missão de vocês é fomentar “um novo paradigma” a partir da “transformação do nível de consciência”. Pois bem, o trabalho fotográfico do publicitário Jimmy Nelson promove uma imagem fictícia e colonialista dos povos tradicionais e reforça os piores preconceitos contra os povos indígenas. Ele fabricou literalmente as fotografias fazendo as pessoas posarem com um figurino falso como se fossem modelos publicitários, ou seja, as imagens são fantasiosas e além disso prejudiciais para esses povos porque transmitem uma ideia de que as pessoas retratadas são “selvagens exóticos e ferozes que devemos preservar como se fossem animais”. Esses povos não são a-históricos (nem puros e nem primitivos) como esse trabalho da a entender; e como todos os demais povos eles também passam por mudanças culturais ao longo do seu processo de evolução, a qual infelizmente é constantemente prejudicada pelas intervenções negativas da sociedade nacional que assalta seus direitos. Essas ideias têm sido combatidas a mais de um século pela antropologia e todas as demais disciplinas que se interessam pela descolonização da imagem do Outro, o qual foi tratado como um objeto a través do olhar exotizador ocidental ao longo da história da humanidade. Portanto, ao contrário de “plantar consciência” o que essas fotos fazem é reproduzir o efeito profundamente destrutivo sobre os povos que lutam para rejeitar a dominação. Pra fazer uma pequena analogia, colocar esse post sem uma clara crítica a ele na página de vocês é o mesmo que subir um artigo, digamos da revista Veja, falando dos malefícios que provoca o consumo da ayahuasca e disseminando os piores preconceitos sobre a planta, justo aquilo que vocês estão tratando de romper. Você não acha que é bastante contraditório para o seu público ver esse tipo de mensagem no meio de uma serie de artigos vanguardistas e que realmente plantam consciência?

        Valeu e parabéns pelo seu trabalho, vou procurar saber mais 😉

        1. eduardo schenberg (author)
          Reply

          Gabriela, apagar o post seria apagar um pedaço de nossa história. Seria também apagar seus comentários e a discussão interessante que espero que seja expandida. Mas não apagaria o livro. Nem as fotos. Faz parte de nossos princípios a transparência e a contante busca. Como consta na seção “quem somos” do nosso site: Nós estamos sentados debaixo da árvore dos nossos pensamentos, tentando descobrir porque não estamos recebendo nenhum sol! (Ram Dass). As opiniões expostas nesse blog nunca são defintivas, e sempre estão abertas ao fluxo constante de pensamento e informações. Obrigado por suas contribuições!

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