O Novo Século Americano

"Il Nuovo Secolo Americano" (2007 - Itália). Dirigido por Massimo Mazzuco. Site Oficial.
Completo e dividido em 10 partes. Em Espanhol e Inglês.
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Filme italiano dirigido por Massimo Mazzucco e lançado em 2007, O Novo Século Americano divide o nome com um auto-intitulado projeto de extrema direita americana, ironicamente, para apresentar de maneira historicamente precisa e com narrativa atrativa, os fatos e acontecimentos por trás do 11 de setembro de 2001. O documentário foi endossado por cineastas como Wim Wenders, Ken Loach e Fernando Meirelles, que o levou às telas brasileiras na mostra de cinema em 2007, reestreando em Janeiro de 2009 com narração dublada pelo ator Paulo Betti.

Diferente de filmes como Loose Change (ver filmes relacionados), por exemplo, que mostra as incongruências entre os acontecimentos envolvendo a queda das Torres Gêmeas e a história oficial do "colapso panqueca", este filme explora as questões filosóficas e o cenário econômico que apontam os dedos em direção à Casa Branca, ao invés dos "terroristas islâmicos", como conta a versão oficial dos fatos. De acordo com o ex-agente da CIA Robert Steele, "Na Casa Branca não estavam considerando o 11/09 como um ataque, mas como um presente".

A possibilidade de um "nine-eleven" forjado pela Casa Branca é pouco perto da revisão histórica que o filme faz da construção do império Americano pelos neo-conservadores (alías, não é curioso que "911" seja também o número telefônico para emergências nos EUA? Sofisticado humor-negro dos conspiradores?). Do início da carreira politica dos hoje genocidas Donald Rumsfeld (secretário de defesa do governo Bush), Dick Cheney (vice-presidente do mesmo governo) e do próprio George W. Bush, Mazzucco mostra convincentemente que o 11 de Setembro foi apenas mais um entre outros episódios forjados por uma seqüência de governos com tendências militaristas, embasados através da manipulação da opinião popular pela mídia, que oblitera os verdadeiros motivos por trás da "campanha contra o terror": a expansão dos lucros e do poder de um império.

Os eventos deliberadamente causados para que os EUA entrassem na I e na II Guerra Mundiais e no Vietnã (respectivamente o afundamento do Lusitânia pelos alemães, a provocação dos japoneses pelo ataque à Pearl Harbor e o falso incidente do Golfo de Tonkin) são o fio condutor que leva ao 11 de Setembro.

Aos quase 3000 mortos na demolição dos prédios, seguiu-se a destruição do Iraque, através de um verdadeiro massacre conduzido pelas tropas americanas. O mundo ficou em silêncio enquanto soldados fuzilavam civis como se estivesem jogando um video-game. Enquanto isso, a companhia Americana Halliburton, de Donald Rumsfeld, não tratava a água de suas próprias tropas, expondo os próprios soldados a uma série de doenças. A mesma empresa não se satisfez em assinar contratos escandalosos com o governo americano para ter lucros exorbitantes ao reconstruir o que ela mesma destruiu, mas literalmente "passou a mão" nos bilhões de dólares destinados a uma reconstrução que nunca ocorreu. Pelo contrário, foram queimadas bibliotecas, no pior estilo hitlerista, e torturadas crianças, desidratadas por falta de água.

Este tom aterrorizante, porém fundamentalmente lógico e bem respaldado, permeia todo o conteúdo da obra de Mazzucco, que ironicamente começa com cenas de arquivos de cômicas propagandas americanas de época. A mensagem que fica também não é nem um pouco confortante: o governo Bush não foi uma excessão ou um engano na história politica dos EUA, mas a seqüência planejada de uma linhagem de governos expansionistas e genocidas que trabalham tanto e somente para um fim: o capital.